Kathmandu (Nepal) – O teto do mundo

Após quase duas semanas no norte da Índia, nosso próximo destino era Kathmandu, a capital do Nepal. Escolhemos passar por aqui por uma série de razões:

• O Nepal é o país mais alto da Terra, onde fica o Everest, o teto do mundo.

• A bandeira do Nepal é única, rompendo o padrão retangular e tendo uma forma de triângulos sobrepostos, numa clara referência ao horizonte dos himalaias. Viva a transgressão e a originalidade!

• Na minha opinião (Mateus) o nome Kathmandu tem a fonética mais linda entre todas as cidades do mundo.

• Em janeiro deste ano (2017) estivemos no Chile, e não poderíamos deixar passar a oportunidade de visitar as 2 mais importantes cadeias de montanhas do mundo (Andes e Himalaias) no mesmo ano.

• Somos budistas e Buda (Siddhartha Gautama) nasceu no Nepal.

nepal-flag-922x691A bandeira do Nepal, original e conectada com a geografia do país.

Fomos de avião e a chegada foi surreal. Haviam muitas aeronaves se aproximando do aeroporto e nosso piloto ficou sobrevoando a região da capital por aproximadamente 10 minutos. Uma oportunidade abençoada de admirar a cordilheira do Himalaia do alto. Após o congestionamento aéreo prosseguimos para o pouso, por entre as montanhas, até a pista no vale de Kathmandu. A tarefa certamente exige habilidade e experiência dos pilotos.

DSC_0139Kathmandu fica em um vale, cercada por montanhas.

Kathmandu tem uma característica muito especial. A cidade pode ser dividida em duas: a cidade do chão, das ruas e a cidade do céu, dos terraços. Como o vale onde a capital nepalesa se formou ficou pequeno para tanta gente, o crescimento tornou-se vertical, com grande parte das edificações nos terrenos tendo andares (dificilmente mais do que 7). Na Kathmandu do chão, o caos. As ruas raramente são asfaltadas e o trânsito é enlouquecedor. Guardas de trânsito fazem a função dos semáforos nas ruas maiores, já nas menores, é cada um por si. Na Kathmandu do céu, a paz.  Como os prédios são baixos, sempre avista-se as montanhas, uma leve brisa sopra constantemente e as diversas espécies de pássaros fazem a trilha sonora.

DSC_0048Hora do rush.
DSC_0061Os prédios em Kathmandu são coloridos e cheios de vida.
DSC_0101Bandeiras com orações e o vale de Kathmandu, vistos do alto do tempo Swayambhunath.

Por toda parte, encontram-se monumentos hindus (religião da maioria dos nepaleses) e budistas. A fé, assim como na Índia é parte da rotina diária do povo, com pausas regulares para orações. Na cidade, visitamos o Swayambhunath, templo budista localizado no alto de um morro. O local também é conhecido como templo dos macacos, pois nossos amigos primatas estão presentes em todos os lugares do complexo. A subida é longa e difícil mas a vista do vale, a atmosfera do templo e a energia que se sente lá em cima recompensam todo o esforço.

DSC_0115No alto de Swayambhunath, os olhos de Buda observam Kathmandu e abençoam o povo do Nepal.

Interessados também pela fé Hindu, visitamos o Templo de Pashupatinath, localizado às margens do Rio Bagmati (que centenas de kilômetros depois deságua no Ganges). Infelizmente, na área central do complexo só podem entrar os praticantes do hinduísmo. Durante nossa visita, circulamos nas margens do rio e vimos algumas cerimônias de cremação, feitas em locais próximos à água, onde os restos mortais são despejados após as homenagens. As cenas que vimos foram fortes e a maneira hindu de lidar com a morte é bem diferente da nossa. Para eles é uma honra ter seu funeral realizado em Pashupatinath, pois a Mother Ganga os conduzirá após sua passagem. Nossos sentimentos e respeito aos que ali foram cremados durante nossa passagem.

DSC_0035Complexo hindu de Pashupatinath.

Em 2015, um terremoto fortíssimo devastou a cidade, causando a morte de milhares de pessoas e a destruição de muitos edifícios históricos e templos milenares. O impacto ainda pode ser visto nas ruas de Kathmandu, com obras de restauração e reconstrução por todo lado, sendo difícil ver uma área onde não hajam prédios escorados, entulhos e gente trabalhando em construções. A praça Durbar, talvez o principal ponto turístico da cidade, foi intensamente atingida, suas torres e templos forma destruídos ou muito danificados. Só ali, quase 200 pessoas morreram no dia do terremoto.

DSC_0082Praça Durbar e a mensagem de que juntos reconstruirão o que foi destruído, ficamos na torcida!

A região de Thamel é onde ficam a maioria dos hotéis e restaurantes da cidade, e é visivelmente preparada para os turistas. Ruas asfaltadas, centenas de lojas de souvenir e artesanato e preços bem salgados. Aliás, o ponto negativo da cidade são seus preços altíssimos e a cobrança de ingressos para tudo, templos, parques e inclusive praças públicas. O jeito foi encarar como uma contribuição para a reconstrução da cidade. Buscando escapar dos preços altos e do agito incessante de Thamel, nos hospedamos no bairro de Dhalko, um pouco mais afastado e muito mais silencioso e tranquilo.

DSC_0161O agitado bairro de Thamel.

O povo do Nepal é espirituoso, sorridente e receptivo, e apesar da pobreza e das dificuldades climáticas e sísmicas, parecem muito felizes. Em nossa passagem pelo Nepal foram centenas de cenas de gente vivendo, trabalhando e passeando alegremente. As ruas de Kathmandu abrigam vida por todos os lados e temos certeza que um dia voltaremos (para uma escalada nos himalaias, quem sabe?).

DSC_0154Fomos abençoados pela mãe natureza com um inesquecível pôr-do-sol atrás dos himalaias.
DSC_0006Senhor Hindu e os macacos, na entrada do Templo de Pashupatinath.
DSC_0023Garden of Dreams, um belo parque em Kathmandu.
DSC_0079Os bichos estão por todas as partes.
DSC_0063Alimentar as vacas das ruas traz boas energias para os hindus.
DSC_0074Pausa no trabalho para ver o movimento na rua.
DSC_0047Felicidade na lojinha de rua da mamãe!
DSC_0078Hora da soneca.

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