Cherai Beach, um dia na praia mais colorida que já vimos

Fernando Pessoa escreveu: “O mar é a religião da natureza” e como estamos cada vez mais em contato com a espiritualidade e cheios de vontade de conhecer o novo, esperamos ansiosos pela oportunidade de conhecer o litoral da Índia e nos banharmos em seu mar.  

A viagem estava programada para uma semana antes do acontecido. Havíamos comprado a passagem de trem pela internet com destino à Cherai Beach, praia indicada pelos nossos amigos e que fica a cerca de 90km de Cheruturuthy. Porém, os Deuses do Kathakali nos mandaram uma forte chuva na ocasião, o que cancelou nossos planos litorâneos e nos deu a oportunidade de assistir a performance do mestre Kalamandalam Gopi (conforme relatado no post anterior). Assim, deixamos para o próximo fim de semana, mas não compramos passagem, não reservamos hotel e nem arrumamos a mala um dia antes, com receio de termos mais dias de chuva.

Acordamos cedo no sábado, meio de ressaca da festança de sexta a noite e ao sair de casa um lindo dia de sol nos esperava lá fora! Apressados, arrumamos nossas mochilas e saímos sem expectativa nenhuma a não ser a de viver o presente e abraçar o que nos esperava pela frente.

20170812_083620Estação de Shoranur Junction, nosso ponto de partida.

Fomos até a estação de trem para ver se havia bilhetes no mesmo trem que havíamos comprado as passagens na outra semana. Após uma espera na famosa e legítima “fila indiana”, conseguimos 2 bilhetes em outro trem, na classe mais baixa de todas, junto com o povão. Esperamos para ver no painel qual era nossa plataforma e no horário indicado nada havia aparecido. Fomos informados que nosso trem estava atrasado e só nos restava esperar.

20170812_083935Congestionamento humano no caminho para as plataformas de embarque.

Tomamos um café da manhã enquanto o trem não vinha até vermos no painel o número da plataforma: 7, a última da estação. Subimos junto com um monte de gente passando por um corredor até chegarmos no local. Haviam nos informado que o vagão de nossa classe seriam os primeiros ou os últimos. Entramos em um sem saber ao certo e nos mandaram embora porque era para pessoas com necessidades especiais. Entramos no próximo e um guardinha nos assegurou que poderíamos ficar ali. Olhamos e não encontramos nenhum lugar para sentar. Continuamos ali na esperança de que alguém descesse nas próximas estações, mas o vagão só lotava cada vez mais. Nos sentíamos no Inter 2 lotado no horário de pico, só que com a diferença da paisagem verde e bucólica lá de fora. Um moço fez a gentileza de me dar o lugar (Janine), porém minhas pernas não podiam se mexer porque havia uma senhora com 3 crianças bem na minha frente. Ninguém se movia. Cada vez que o trem parava o vagão era tomado por um imenso calor e a cada movimento o pensamento era de como uma brisa pode ser valiosa e como são esses pequenos momentos de prazer que fazem a vida acontecer. O Mateus de pé, lutava com o calor, com os cotovelos, com os cheiros apimentados que pairavam no ar. Chegamos na estação de Alluva após 2h30 de viagem.

Partimos para a próxima etapa, um ônibus até a cidade de North Paravur, a mais próxima da praia. Depois da experiência que havíamos tido no trem cogitamos a possibilidade de chamar um Uber para nos levar, sentados, com ar condicionado, mas o dinheiro falou mais alto e fomos até a rodoviária pegar o ônibus. Conseguimos lugar para sentar, apertadinhos, mas nada que pudéssemos reclamar perto da situação anterior. Mais 1 hora de viagem e chegamos no local esperado.

Nessa altura a fome já estava nos sufocando e paramos para comer algo ali mesmo onde descemos. Almoçamos e fomos para a última etapa da viagem: um tuk tuk até a beira da praia. Cerca de 15 minutos e enfim chegamos em Cherai. Eram 14h, estávamos com 2 mochilas na costas e a primeira coisa que fizemos foi sentir a brisa do mar e ver como eram as ondas. Saímos atrás de um hotel que havíamos visto na semana anterior mas é claro que não havia lugar. Fomos para o outro lado, e nada… até que encontramos um quarto, muito bom por sinal, espaçoso, de frente para a praia com uma cama enorme e muito confortável. Deixamos nossos pertences e saímos em busca de um espaço de areia para deixarmos nossas coisas e tomarmos o tão esperado banho no mar.

DSC_1434Cherai Beach.

Encontramos um lugar um pouco mais afastado e sem muita gente. O mar estava agitado o que nos fez tomar belos caldos. Eu (Janine) entrei de roupa pois não havia uma mulher que não estivesse vestida dos pés a cabeça. Ficamos um bom tempo observando o lugar, respirando a maresia, tirando muitas fotos e agradecendo pelo presente de estar ali.

DSC_1443Nosso reencontro com o Oceano Índico.

Cerca de 300 metros da praia, havia um lago que trazia uma paz e uma lembrança dos rios que passamos no norte do Brasil. Tiramos mais fotos maravilhosas e voltamos para a praia que de repente estava lotada de turistas por todos os lados. Mas não eram gringos como a gente, eram indianos que chegavam nos ônibus coloridos, lotados e cheios de alegria e animação. Entravam no mar de roupa, de shorts, calça jeans, do jeito que fosse. Era uma felicidade tão grande e tão genuína que nos prendeu a atenção por horas até chegar o pôr-do-Sol. 

DSC_1683Cores por todos os lados!
DSC_1678Alegria e brincadeiras o tempo todo.

Do nosso lado freiras, muçulmanos, hindus, casais de namorados, famílias, crianças, etc… todos juntos nesse lugar tão democrático e tão especial. Ali, aparentemente ninguém tinha problemas para resolver, nem preocupações. O que víamos era a alegria de estar vivo e poder receber de presente a vibração da natureza, do mar, do Sol. Fomos imundados de sorrisos constantes de alegria de viver. O pôr-do-sol encerrou nossa contemplação com um lindo espetáculo, mergulhando sobre o oceano Índico.

DSC_1624Pescaria tranquila no lago próximo à praia.
DSC_1745Sol mergulhando no Oceano Índico.

Terminamos o dia comendo uma pizza maravilhosa (de queijo…. como estávamos com saudades de queijo!!!!) num restaurante maravilhoso na beira do mar. Como havia acabado a luz ainda foi tudo à luz de vela. Ainda à noite, tomamos uma cerveja bem gelada em um bar à beira-mar.

No outro dia a viagem de volta também foi repleta de perrengues, mas depois do que havíamos presenciados no dia anterior não dava para reclamar de nada. Só agradecer… sempre…

Obrigado! Nandi! Namastê!

Ps.: Na galeria de fotos tem estas e outras muitas fotos do nosso dia na praia, confere artejornadahumana.com/galeria-de-fotos/

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