“Viva como se fosse morrer amanhã, aprenda como se fosse viver para sempre” Gandhi.

Você alguma vez já sentiu a sensação de sonho realizado e o sentimento de gratidão explodiu em seu coração? É assim que podemos resumir nossos sentimentos em relação à essa viagem para a Índia. Chegamos lá de coração aberto, pé no chão, humildade e prontos para aprender tudo que poderíamos. Concordamos os dois que diríamos SIM para todas as oportunidades e assim o foi… Fizemos tudo o que poderíamos fazer, vivemos cada segundo e nos doamos para essa jornada. Confessamos que o Universo foi muito generoso com a gente o que nos dá a certeza de que a felicidade pode ser alcançada, só basta você descobri-la em seu interior. Nessa busca peloo autoconhecimento podemos concluir que deixando de lado seu ego, seus julgamentos (e seus pré-julgamentos), sua preguiça, seu controle, ou seja, o seu… seu… seu… a vida pode te aprontar muitas surpresas! Cada dia uma nova descoberta, um novo momento, um novo sentimento, uma nova sensação! Não sabíamos do amanhã, só tínhamos o presente, pois nosso passado também não importava ali. O tempo se tornou um grande mestre da vida.

DSC_0219aA Índia é muito, muito, muito mais do que o deslumbrante Taj Mahal.

E por falar em tempo, 3 meses para uns pode ser rápido, para outros devagar, para nós, foram 3 meses muito bem vividos que nos deixaram com gostinho de quero mais! Muito mais!!!! O tempo de lá é um tempo bem diferente do de cá! Lá tudo tem seu tempo! Ninguém precisa correr contra ou a favor dele! Cada coisa é vivida da forma que deve ser vivida! Se olharmos o tempo pela visão da “previsão do tempo”, alguns diriam que não fomos afortunados, pois realmente estávamos na época das monções, mas em compensação essas monções nos presenteavam com pores do sol maravilhosos que jamais iremos esquecer! Se o tempo do relógio já não era o principal o que ficava era o tempo natural das coisas: o horário de comer é o horário da fome, o de dormir, o do sono e assim caminha a humanidade… Humanos, somos humanos, não máquinas que são comandadas por outras máquinas.

DSC_0278aAs chuvas das monções lavam a terra e a alma.

Falando em humanos, façamos aqui um link com o seu melhor complemento: a Natureza. Descobrimos lá como é bom viver cercado por natureza, mesmo que de vez em quando ela nos surpreenda com uma aranha gigante que pula ou com bichos cabeludos que podem se defender soltando seu veneno. Pode soar meio hippie, mas descobrimos que viver com o pé no chão é uma das melhores coisa do mundo! A beleza das palmeiras, do céu estrelado de noite (que em Curitiba, devido as luzes da cidade, quase não vemos), os pássaros que não param de cantar, as borboletas que trazem a mensagem de que a mudança nos faz melhores, a chuva que por vezes lava literalmente a alma, o rio que corre levando junto todas as energias negativas, e tantos outros fenômenos que só a natureza pode nos proporcionar fizeram parte das descobertas dessa jornada. É lógico que não precisamos ir tão longe para realizar esse encontro, mas às vezes não estamos conscientes dessas contemplações e o quanto essa relação pode mudar o seu dia para muito melhor.

DSC_2802aLá se vai o sol na Índia.

E continuando no quesito consciência, não podemos esquecer da espiritualidade que esse povo emana. Viver no país que nasceu a yoga, viver diariamente com gurus, não há como voltar de lá sem um degrauzinho a mais em nossa elevação. Visitamos templos sikh, mesquitas mulçumanas, templos hindus, o Templo de Lótus que engloba todas as religiões e saímos de lá com a conclusão de que tem algo em comum a todas elas: o amor. Na parede do bar que frequentávamos havia um quadro onde Jesus e Krishna flutuavam de mãos dadas na frente de uma mesquita. Essa imagem diz muito e hoje já virou parte de nossa crença (acrescentamos em nossa imaginação uma fogueira xamânica, os batuques do candomblé e um buda olhando tudo com um sorriso maravilhoso). Brincadeiras à parte, fica aqui uma grande reflexão: será que a união realmente não pode fazer a força? Se o amor fosse nosso guia maior não seria mais fácil? Continuamos com nossas crenças pessoais, respeitamos todas as outras. Se te faz bem, então é o que realmente importa! Tivemos a oportunidade de presenciar muitas datas comemorativas (aniversário de Khrishna, Onam, Ganesha, Durga, etc). Presenciamos como o povo se conecta com seus Deuses e como eles são felizes nessa devoção. Mais um grande aprendizado!

20170827_180859A fé deve nos unir no amor pelo ser humano, jamais nos separar.

Por falar em pessoas felizes, devo confessar que nunca recebemos tantos sorrisos em nossas vidas! Não sei se é porque éramos estrangeiros, se é porque olhávamos nos olhos de quem passa, ou se é porque somos simpáticos mesmo, mas sempre que saíamos de casa, andando na rua, recebíamos no mínimo uns 5 sorrisos por dia! E se 1 sorriso já pode fazer diferença no dia, imagina 5!! Isso quando os sorrisos não vinham com uma conversa, um convite para um chá, perguntas (qual é seu nome, o nome da sua mãe, do seu pai, Brasil? Neymar! Ou o famoso caso da torcida “Mathius, Mathius”). Como não amar viver assim? Rodeado de amor e atenção ao próximo. Uma das questões que mais tem nos incomodado no Brasil é que hoje em dia as pessoas não gostam mais de escutar, só querem falar, contar suas histórias, seus problemas, seus… seus… seus… desejar o melhor para o próximo? Tá longe! Os amigos e amigas que fizemos na Índia nos chamam de irmão e irmã. Podemos confessar que foi um pouco estranho ouvir “I love you” do nosso melhor amigo, mas é isso mesmo, eles se entregam sem joguinhos, sem mimimi… é sim amor!!!

DSC_4133aA Índia é feita de sorrisos!

Muitos devem estar se questionando: “Nossa!!! Mas não teve nada de errado nessa viagem?” Teve, teve sim… teve diarreia, princípio de dengue, cachorros abandonados, pessoas abandonadas… Vimos muita sujeira, muita pobreza, lugares até desumanos… Tudo nos fez refletir, questionar, e consequentemente aprender, então, se olharmos por outro ponto de vista, só tivemos ganhos: ganhos artísticos, ganhos profissionais, ganhos pessoais, ganhos espirituais, ganhos mentais, ganhos de relacionamento…

DSC_0086aSuperar as adversidades com fé, alegria e gratidão pela vida.

Esta etapa da nossa jornada chegou ao fim, mas nossos aprendizados não… eles continuam reverberando em nossos corações!!! Nossas próximas viagens não serão mais as mesmas, nossas vidas já não são mais as mesmas, nossos corações então!!!!!

DSC_4675aAté breve Índia! Logo estaremos de volta!

Fechamos esse ciclo e já estamos pensando no próximo, mas não pensem que acabou! Ainda teremos mais posts sobre como nos conectamos à arte indiana e ainda pretendemos lançar um mini documentário!!! Aguardem!!!

Enquanto não chega o próximo, ficamos por aqui com a palavra que mais se repete em nossas mentes e em nossos corações:

Nandi,
Thanks,
Obrigado!

Mumbai, muita Índia por m²

Passados 3 meses no paradisíaco estado de Kerala, rumamos para o nosso último destino na Índia: Mumbai. Quando compramos as passagens para a nossa jornada, tivemos a oportunidade de chegar por uma cidade (Delhi) e sair por outra (Mumbai), o que nos proporcionou conhecer mais um pedacinho da Índia.

DSC_6118Muito trânsito!

Mumbai é a metrópole mais populosa da Índia, com 12 milhões de habitantes se espremendo nas ilhas que formam a cidade. É aqui onde ficam os estúdios de Bollywood, a principal indústria cinematográfica do país. A cidade nos lembrou muito o Rio de Janeiro, com muitos bairros pobres (favelas), áreas belíssimas junto ao mar e grandes centros de produção televisiva e cinematográfica. Os grandes artistas do país moram e trabalham em Mumbai, o que talvez influencie na pegada mais descolada da cidade. Aqui o inglês é mais falado, a licença para venda de bebidas alcoólicas é mais fácil e a moda se aproxima mais do ocidente.

DSC_6050Comércio, comércio, comércio.

Como estávamos no final da nossa jornada, o dinheiro já era contado rúpia por rúpia. Escolhemos então um hotel de baixo custo para nossa hospedagem. Ficamos em Pydhonie, um bairro muçulmano onde o comércio de rua acontece 24 horas e cada espacinho dos prédios é ocupado por pequenas empresas de confecção. Nosso hotel ficava no 4º e 5º andares de um prédio tomado por estas confecções. Embora nosso quarto fosse razoável (justo pelo preço cobrado) o prédio e o entorno eram bem intimidadores. Milhares e milhares de pessoas circulando pelos corredores apertados e um movimento intenso de entrada de tecidos e saída de roupas, pashminas e outros produtos têxteis da Índia. A faxina passava longe e o ambiente era bastante escuro e sujo. Os restos de tecido conviviam com os costureiros e seus cigarros, o que dava um medo imenso de acordar com o prédio pegando fogo (o que ainda bem, não aconteceu). O primeiro dia de hospedagem foi sofrido, depois acostumamos.

ÀDSC_5903Rua de Pydhonie.  À noite o movimento diminui…
DSC_5930Em cada sala, muitos indianos trabalham na costura.

Nosso primeiro destino na cidade foi a Chowpatty Beach, uma praia localizada na Marine Drive, avenida beira-mar super visitada em Mumbai. A praia era bastante suja, mas muitos indianos se arriscavam nas águas. Sentamos na areia e observamos o Sol se pondo, agradecidos mais uma vez pela oportunidade de estar observando o Oceano Índico. Fomos então à um café na beira-mar para tomar um cervejinha. Ficamos felizes pois o local estava repleto de mulheres se divertindo com as amigas e amigos, muitos casais, todos curtindo e cantando com o altíssimo som que vinha da jukebox.

DSC_5762A poluída Chowpatty Beach.
DSC_5772Mais uma vez o Sol se pondo e o Oceano Índico.

No dia seguinte, fomos para a região de Colaba, na busca por lembrancinhas para os amigos que nos apoiaram na jornada e de artesanatos e bugigangas para a nossa casa. A experiência é muito intensa. Como o bairro é turístico os preços são todos salgados, pois para alguns visitantes (principalmente europeus) mesmo inflacionados os itens ainda são baratos. Nós já estávamos vacinados e a pechincha foi nosso método. Em 90% das vezes, conseguíamos pagar metade do preço inicial dizendo que éramos brasileiros (Neymar! Pelé! Ronaldo! Sorriso!). Em uma das compras o preço inicial de um item era de 1500 rúpias, acabamos levando três unidades por 1000, uma loucura! Ainda na região visitamos o India Gate, um dos principais pontos turísticos da cidade, que surpreendentemente não cobrava ingresso.

DSC_6043Produtos e mais produtos.
DSC_5817India Gate, pronto para receber as comemorações do aniversário de Gandhi.

Outro local que visitamos em Mumbai é o CST – Chhatrapati Shivaji Terminus, o principal terminal ferroviário da cidade. Dali chegam e partem trens para toda a Índia, o que proporciona cenas inesquecíveis pela quantidade de humanos que ali circulam. Dedicamos algumas horas na visita e tiramos muitas fotos. O entorno da estação é lindíssimo, com diversos prédios antigos, nos lembrando muito o centro de Santiago, no Chile.

DSC_6084A luz se esgueira para dentro do Chhatrapati Shivaji Terminus.

Mumbai é uma metrópole insana, como muitas outras no mundo. Como é um dos principais pontos de entrada e saída do país, tem um potencial enorme de desenvolvimento do turismo, embora ainda haja muitas dificuldades na locomoção pela cidade (a maioria dos táxis simplesmente não aceita corridas com estrangeiros). Já estávamos em clima de despedida e preocupados com o retorno, então a experiência em Mumbai pode não ter sido tão profunda como as anteriores, mas certamente nos marcou e jamais será esquecida.

DSC_5995Janine no entorno do Chhatrapati Shivaji Terminus.

Ps.: Embora Mumbai tenha sido nosso último destino na Índia, ainda teremos posts sobre as experiências que vivemos nessa jornada. Fiquem ligados!

Ps2.: Para mais fotos de Mumbai acesse nossa Galeria de Fotos!