Jeritan Ibu Pertiwi – Parte 2

Corrida de obstáculos

por Janine de Campos
(English version below)

Cada vez mais descobrimos que a vida é feita de escolhas. Parece uma frase de caminhão, mas a realidade é essa mesma. E quando você faz uma escolha quer dizer que você tem que abdicar de algo para obter outro algo. Nessa nossa escolha de embarcar num processo de criação teatral nós tivemos que deixar de viajar nas férias, de beber nossa cerveja no fim de semana, de comer as coisas mais caras (porque sabíamos que tínhamos que guardar o máximo de dinheiro para o que a obra pedisse), de dormir até tarde e de ter uma vida confortável. Sabíamos que a outra escolha era “mais prazerosa”, mas nós, artistas que somos, tínhamos sede de criar.

PP05-1Em um dos raros momentos em que tivemos uma sala para ensaiar, no começo do processo.

Além de não fazer parte do time dos “que tinham prazeres”, logo no começo já entendemos que teríamos  muitos obstáculos para enfrentar. Já ouvi muitas reclamações sobre o Brasil ser um país burocrático, onde tudo demora e temos que ter paciência. Vocês não tem ideia do que é a Indonésia. Enquanto na Índia um dos meus maiores aprendizados foi em relação ao tempo, aqui na Indonésia o meu maior aprendizado é sobre: PACIÊNCIA e como consequência, RESILIÊNCIA.

Nosso primeiro obstáculo foi encontrar um local para começar os ensaios. Nossa coordenadora nos informou que teríamos que fazer uma carta com o pedido de sala endereçada ao reitor da Universidade, que deveria assinar e então passar para o departamento de teatro, para então chegar a liberação no departamento internacional (que trata dos assuntos dos estrangeiros). Fizemos a carta em novembro, para conseguir uma sala que pudéssemos usar em dezembro e janeiro, durante as nossas férias. Enquanto não tínhamos resposta, resolvi tentar a sorte em alguns horários alternativos. Acordava cedo e assim que via uma sala de dança livre já tomava meu lugar, mas logo já chegava alguém informando que em 10 minutos iria começar a aula ou os alunos locais iriam utilizar para ensaio. Os horários das aulas eram confusos e não havia uma rotina lógica. Tive experiências com alunas de dança mais velhas que foram super arrogantes (o que comprova que esse tipo de pessoa, que trabalha com o ego inflado existe em todos os cantos do mundo, mesmo na Ásia).

PP05-2Janine ensaiando e no fundo a “gata porteira” assegurando-se que ninguém entrasse na nossa sala.

Foi assim, durante as férias inteiras. Pulando de sala em sala. Mas logo no começo as Deusas do teatro já começaram a “dar as caras”. No primeiro dia de ensaio estava sozinha na sala, com a porta aberta e uma gata entrou e ficou me observando. Quando terminei, sentei e ela se aproximou de mim, subiu no meu colo e ali ficou. Eu me emocionei pois no espetáculo a personagem conta seus problemas para uma gata que ela encontrou em seu caminho durante uma tempestade. Coincidentemente, ou como eu acredito, “destinamente”, eu e o Mateus salvamos 4 filhotes de gatos que estavam morrendo após uma forte tempestade no último dia de 2018. Passamos a virada do ano sozinhos na varanda da minha casa, eu, o Mateus e 4 filhotes de gatos que transformaram nosso ano novo com apenas 1 fogo de artifício numa diversão pura! Acredito realmente que as Deusas estavam do nosso lado.

Sabíamos que tínhamos a benção das Deusas, mas a burocracia não estava facilitando nossa vida, era clara a necessidade de aprender um pouco mais sobre paciência. Nossa coordenadora foi fazer um curso fora da cidade e ficou 2 meses sem aparecer, o que atrasou, e muito, nossa saga da sala. Só após a chegada dela, na metade de janeiro que a liberação foi autorizada e como ela sabia de nossos anseios e talvez até como um pedido de desculpas pela demora, o que ela nos deu de presente para o ensaio foi: o teatro. Lembro que ficamos muito felizes de ter um espaço em que poderíamos guardar as coisas e ainda poder ter a energia de um teatro para trabalhar. O teatro era grande e como queríamos fazer uma coisa mais intimista, não fomos direto para o palco, pois para nós, o palco é sagrado e só iríamos para lá quando tivéssemos o direito de pisar nele. Começamos a ensaiar num corredor com espelhos atrás do palco, o que facilitava a minha direção coreográfica. O melhor horário era bem cedo, pois nos dias de evento os estudantes poderiam chegar e atrapalhar o andamento.

PP05-4Testando adereços e figurinos Minagkabau.

Assim, todos os dias ao amanhecer estávamos lá, eu e o Mateus, inventando, criando, recriando, tentando entender como seria esse novo processo para a gente. Comecei criando uma base coreográfica de desenho de corpo (vindo dos ensinamentos do Eugenio Barba que tenho experienciado nos últimos anos) estimulado pelas visões e estados que a dramaturgia trazia (método do Théâtre du Soleil). O Mateus aos poucos, a cada dia, ia trazendo a música e a musicalidade da cena para a composição. Tínhamos um rascunho de 3 cenas quando nossa coordenadora chegou para assistir um ensaio e entender o que esses “bulês” obcecados estavam inventando. Ela assistiu só o final da terceira cena e resolver fazer uma ligação, dizendo para que esperássemos antes de mostrar o processo do começo. Nessa ligação ela convidou o diretor teatral Yusril Katil para assistir o trabalho pois achou que poderia interessá-lo.

PP05-6Ensaio com protótipos de bonecos javaneses, wayang.

Katil é um diretor que trabalha principalmente com teatro físico e desde o começo dos estudos por aqui já me falaram que deveríamos conhecê-lo pois nossos estilos de  trabalho se aproximavam. Certa vez a coordenadora me chamou para assistir um ensaio de um espetáculo que ele estava fazendo até para saber se eu não queria participar (ele gosta muito de trabalhar o interculturalismo). Eu fui assistir e cheguei a conclusão que os atores deles eram tão bons fisicamente, que tinham um corpo tão preparado e tão Minangkabau, que ia demorar um bom tempo para que eu me igualasse à eles (ou seja, pensei que não era boa o suficiente para o que ele precisava). Me arrependi depois, em ter dito não, talvez por medo, talvez eu devesse arriscar já que é para isso que eu estava aqui, mas eu sabia que a data para a apresentação era próxima, então teria que parar tudo que estava fazendo só para me dedicar a isso (o que atrapalharia meus estudos). Me lembro que pensei que gostaria muito de trabalhar com ele. E como as Deusas tem uma audição apurada: lá estava ele naquele dia, assistindo o que eu e o Mateus havíamos criado até o momento.

PP05-8Mateus ensaiando, tocando os gongos de Sumatra, os talempongs.

Logo que acabou o ensaio, sentamos para conversar, ele não fala inglês, e ainda não sabíamos muito de indonésio. Tintun, a coordenadora, fez a tradução/mediação. Ele fez observações sobre o que viu, disse que para ele era bem contemporâneo, que tinha a essência do tradicional com um novo olhar e que gostaria de fazer parte do processo. Começou, naquele momento, uma nova etapa da nossa criação: a colaboração entre artistas de diferentes países, que não falam a mesma língua, trabalhando juntos para a construção de uma obra de arte.

No outro dia Tintun convidou um outro amigo dela, um professor e bailarino, cujo trabalho conhecemos quando assistimos sua performance de dança na primeira semana, (segundo o Mateus, uma das melhores danças que ele assistiu na vida dele), e realmente ele era fantástico, lembro de pensar pensar: “nossa! Que corpo! queria poder saber dançar como ele”!. E eis que as Deusas nos escutaram de novo e, Ali Sucri, que também não falava nenhum pouco de inglês, seria mais um colaborador da obra para trabalhar as coreografias e as técnicas corporais tradicionais.

PP05-5Janine trabalhando na construção de desenhos corporais Minagkabau.

“Que responsabilidade”, eu pensava e “que honra, que benção das Deusas, que oportunidade”!. Sim, foi uma oportunidade única na vida! Dessas que trazem muitos aprendizados e muita história para contar. Não pensem que tudo foi um “mar de rosas”, não foi mesmo! O primeiro problema que tivemos foi agenda, os 3 envolvidos eram professores e grandes artistas, logo estavam sempre cheios de compromissos. A gente tinha nossas aulas e o teatro tinha limite de horários (em algumas oportunidades o teatro era fechado para o responsável ir rezar na mesquita). Era sempre uma incógnita, não sabíamos se criávamos sozinhos com a possibilidade deles chegarem e mudarem tudo ou se esperávamos eles aparecerem. A coisa só ficou mais constante quando Katil foi convidado para apresentar um espetáculo dele em um Festival de Teatro numa Universidade em Padang (capital da província) e escolheu a gente para apresentar. Junto com isso, Tintun fez com que os alunos do curso de teatro acompanhassem o processo e ajudassem nas necessidades técnicas como parte das aulas no semestre. Como a apresentação estava super próxima (tínhamos cerca de 2 semanas) decidimos em conjunto apresentar só uma parte da dramaturgia, como um work-in-progress, assim poderíamos dedicar este tempo para detalhar o que havíamos criado e deixar o mais redondo possível.

Tivemos vários debates e diferenças, principalmente por 2 motivos: o primeiro relacionado à dificuldade de comunicação. Não era sempre que tínhamos alguém para traduzir o que era dito, então muito do diálogo que deve ser feito em qualquer processo de criação se perdeu nessa confusão. Por ser um teatro baseado no físico, nos entendíamos através de apontamentos feitos na prática, no próprio corpo, já que Katil cuidava da direção e Sucri das coreografias. O segundo ponto de discordância era diretamente relacionado à linguagem teatral. Viemos de um teatro em que a musicalidade da cena e principalmente a “urgência” são as bases de trabalho. Para nós, o espetáculo é uma grande orquestra ritmada e quando há lentidão nas cenas, esta precisa ser bem justificada e com o estado dilatado. Eles adoram uma lentidão! Assistimos muitos espetáculos aqui em que a dançarina atravessava o palco (que é bem grande) num ritmo absurdamente lento, e víamos a maioria da plateia aproveitar a oportunidade para checar os celulares e pensar nos problemas da vida. Esse era nosso maior medo. No começo deixamos fluir para ver aonde iriam chegar e o que podíamos aprender com essa dificuldade, mas chegou o momento que tivemos que falar sobre essa diferença e, apesar de saber que eles não estavam 100% satisfeitos, chegamos ao meio termo, ou ao que almejamos em todos os aspectos da vida, ao equilíbrio.

PP05-9A equipe do espetáculo Jeritan Ibu Pertiwi debatendo após o ensaio.

Acho que foi um pouco sofrido para os dois lados. Nós queríamos algo intimista, pequeno, em que a plateia pudesse olhar nos olhos da personagem, afinal, seria apenas uma atriz e um músico em cena. Eles, como já vimos em suas apresentações anteriores, gostavam da ideia de ser algo grande (por ser bem físico), largo. Após bastante sofrimento e relutância, chegou um ponto em que eu e o Mateus nos deixamos levar pela experiência. Deixamos de lado a ideia que imaginávamos para mergulhar na colaboração, para trocar, para aprender. Deixamos de lado o que era o nosso jeito “certo” de trabalhar para ir de encontro com o que é “certo” para eles. Quem disse que o nosso jeito é o “certo”? Quem disse que o deles é o “certo”? Esse é o grande aprendizado dessa jornada: desapegar de nossas crenças de certo e errado e deixar-nos guiar pela experiência única que estávamos tendo a oportunidade de ter, ou seja, viver o processo.

Tenho muito orgulho dessa experiência e muito carinho e gratidão por todos aqueles que fizeram parte dela, que acreditaram no trabalho de dois “bules kacau” (gringos loucos), que dedicaram seu tempo e seu trabalho à criação de uma obra de arte, que deram a “cara para bater”, pois o espetáculo é uma crítica a alguns costumes da sociedade em que eles vivem, que colocaram sua alma nesse projeto e que entenderam junto com a gente que a linguagem da arte é universal e é uma poderosa ferramenta de aprendizado e transformação humana.

(Continua no próximo post)

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Jeritan Ibu Pertiwi – Parte 2

Obstacle race

by Janine de Campos

More and more we discover that life is made of choices. It may sound a little cheeky, but the reality is that. And when you make a choice it means you have to give up something to get something else. In our choice of embarking on a process of theatrical creation we had to give up on vacationing, drinking our beer over the weekend, eating the more expensive food (because we knew we had to save as much money as the play asked for), sleeping late and having a comfortable life. We knew that the other choice was “more enjoyable,” but we, as the artists we are, were thirsting to create.

Besides not being part of the team that had “pleasures”, at the beginning we already understood that we would have many obstacles to face. I’ve heard many complaints about Brazil being a bureaucratic country, where everything takes time and we have to be patient. You have no idea what Indonesia is. While in India one of my greatest learnings was about time, here in Indonesia my greatest learning is about: PATIENCE and as a consequence, RESILIENCE.

Our first obstacle was finding a place to start the rehearsals. Our coordinator informed us that we would have to make a letter with the room request addressed to the university’s rector, who should sign and then send to the theater department, who would send the authorization to the international office (which deals with foreign affairs). We did the letter in November to get a room we could use in December and January during our vacation. While we did not have the answer, I decided to try our luck at some alternative times. I used to wake up early and as soon as I saw a dance room free, I would take my place, but soon someone would arrive saying that in 10 minutes the class would start or the local students would use it for rehearsal. Class times were always confusing and there was no logical schedule. I had experiences with older dance students who were super arrogant (which proves that this type of person, who works with the inflated ego exists in every corner of the world, even in Asia).

It was like this, during the whole vacation. Leaping from room to room. But right at the beginning, the Goddesses of the theater have begun to “move their fingers”. On the first day of rehearsal, when I was in the room with the door open, a cat came in and watched me. When I finished, I sat down and it approached me, climbed on my lap and lay there. I was very emotional because in the theater play, the character tells her problems to a cat she encountered on her way during a storm. Coincidentally, or as I believe, “by fate”, Mateus and I saved 4 kittens that were dying after a heavy storm on the last day of 2018. We spent the new years eve on the porch of my house, me, Mateus and the 4 kittens that have transformed our New Year with only 1 firework into pure fun! I really believe that the Goddesses were on our side.

We knew we had the blessing of the Goddesses, but the bureaucracy was not making our lives easier, we knew we had to learn a little more about patience. Our coordinator went to take a course outside of the city and was 2 months without appearing, which delayed, and much, our saga of the room. Only after her arrival in the middle of January that the letter about the room was authorized and how she knew of our yearnings and perhaps even as an apology for the delay, she gave us as a gift for the rehearsal: the theater. I remember that we were very happy to have a space in which we could save our things and still be able to have the energy of a theater to work. At first we knew the theater was great, and as we wanted to do something more intimate, we did not go straight to the stage, because for us, the stage is sacred and we would only go there when we had the right to step on it. We started rehearsing in a hallway with mirrors behind the stage, which made my choreographic direction easier. The best time was very early, because on the days with events scheduled the students could arrive and disrupt the progress.

So every day at dawn, we were there, me and Mateus, inventing, creating, recreating, trying to understand what this new process would be like for us. I started by creating a choreographic body drawing base (coming from the teachings of Eugenio Barba which I had experienced in recent years) stimulated by the visions and character states that the dramaturgy brought (Théâtre du Soleil method). Mateus gradually, each day, brought the music and musicality of the scene to the composition. We had a sketch of 3 scenes when our coordinator arrived to watch a rehearsal and understand what these obsessed “bules” were making up. She watched only the end of the third scene and decided to make a phone call telling us to wait before showing the process from the beginning. In this call she invited the theater director Yusril Katil to attend the rehearsal because she thought it might interest him.

Katil is a director who works primarily with physical theater and from the beginning I’ve been told that I should meet him because it suited our type of work. The coordinator called me to attend a rehearsal on a play he was doing to know if maybe I could participate (he likes to work on interculturalism). I went to watch and I came to the conclusion that the actors were so good physically, with bodies so prepared and so Minangkabau that it would take a long time for me to match them (in other words I thought I was not good enough for what he needed). I regretted it later, saying no, maybe out of fear, maybe I should take a chance because that’s what I was here for, but I knew the date for the presentation was next, so I would have to stop everything and concentrate 100% on this (which would disrupt my studies). I remember thinking I’d really like to work with him. And as the Goddesses have a clear hearing: there he was that day, watching what Mateus and I had created so far.

As soon as we finished the rehearsal, we sat down to talk, he don´t  speaks English, and we still did not know much about Indonesian. Tintun, the coordinator, did the translation/mediation. He made remarks about what he saw, said that for him it was quite contemporary, that he saw the essence of traditional with a new look and that he would like to be part of the process. At that moment a new stage of our creation began: collaboration between artists from different countries, who do not speak the same language, working together to build an artistic piece.

The next day Tintun invited another friend of hers, a teacher and dancer, who we watched dancing on our first week in Padangpanjang (according to Mateus, one of the best dances he saw in his life), and indeed he was fantastic, I even thought: “Wow! What a body! I wish I could know how to dance like him”! And, behold, the Goddesses listened again, and Ali Sucri, who also don´t speak English, would be one more collaborator in the process to work on traditional choreography and body techniques.

“What a responsibility,” I thought and “what an honor, what a blessing from the Goddesses, what an opportunity”! Yes, it was a once in a lifetime opportunity. One of those that bring lots of learning and lots of story to tell. Do not think that everything was like a fairytale, it was not! The first problem we had were the schedules, the 3 involved were teachers and great artists so they were always with the busy schedule. We had our classes and the theater had a limit of hours (in some cases the theater was closed so the person in charge could go to pray in the mosque). It was always a mystery, we did not know if we should advance alone with the possibility of them coming and changing everything or if we should wait them to appear. The process only became more solid when Katil was invited to present one of his performances at a Theater Festival of a University in Padang (capital of the province) and he choose us to perform. Along with this, Tintun made the students of the theater course follow the process and help in the technical needs as part of the classes in the semester. As the date of the performance was close we decided together to present only part of the dramaturgy as a work-in-progress, so we could take time to detail what we had created and leave it as round as possible.

We had several debates and differences, mainly for two reasons: the first related to the difficulty of communication. It was not every time we had someone to translate what was said, so much of the dialogue that must be done in any creation process was lost in this mess. What really saved was that, because it was a theater based on the physical, the notes were made in the practice, in the own body, since Yusril took care of the direction and Sucre of the choreographies. The second point of disagreement was directly related to the theatrical language. We came from a theater in which the musicality of the scene and especially the “urgency” in the theater are the basis. For us, a theater play is a great rhythmic orchestra and when the scene demands slowness it needs to be well justified and dilated. They love slowness! We watched a lot of performances here where the dancer walked across the stage (which is quite large) at an absurdly slow pace, and we saw most of the audience seizing the opportunity to check their cell phones and think about the problems of life. That was our greatest fear. At first we let ourselves flow to see where they would arrive and what we could learn from this difficulty, but the time came when we had to talk about that difference and, although we knew they were not 100% satisfied, we came to the middle ground, or to what we strive in every aspect of life: balance.

I think it was a little painful for both sides. We wanted something intimate and small, where the audience could look into the character’s eyes, after all, it would just be an actress and a musician on the stage. They, as we have seen in their previous presentations, liked the idea of something big (for being very physical), wide. After some suffering it cames to a point where Mateus and I let ourselves be carried away by experience. We set aside the idea we imagined to plunge into collaboration, to exchange, to learn. We set aside what was our “right” way of working to meet what was “right” for them. Who says our way is the right one? Who said it was theirs? This is the great learning of this journey: letting go of our beliefs of right and wrong and letting ourselves be guided by the unique experience we were having, living the process.

I am very proud of this experience and very caring and grateful for all those who were part of it, who believed in the work of two “bule kacau” (crazy foreigners), who dedicated their time and their work to the creation of a work of art, which expose themselves, since the play has criticism of some customs of the society in which they live, who put their soul in this project and who understood together with us that the language of art is universal and is a powerful tool of learning and human transformation.

(To be continued)

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